terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Túmulo aquático

Das rusgas se fez meu pranto silencioso
Como ondas do mar numa noite escura
A dor desse lamento ainda perdura
Dividindo espaço com um veneno furioso
Leito derradeiro e inóspito, rodeado de corais
Espumoso, onde o sol e a lua dormem sorrateiros
Eis onde durmo coberto por uma grande cortina azul e triste
Ausente de pensamentos e de paixões, loucuras bobas
Apenas um pequeno cristal no meio de um coração de safira
Que em silêncio repousa e compartilha do meu sono profundo
Observa, sem entender, o porquê de tantos maldizeres
Que a serenidade cala, após árduas tentativas
Velas ao vento passam a lado do meu corpo estirado
Contemplam minha penumbra branda
Nada sou, nada fui, nada serei
Provei do meu próprio elixir mortal
E aqui permaneço
Ó, tumulo aquático, leva de mim todo o pesar
Para quando eu voltar, ah! quando eu voltar
Do sono quase eterno
Nutrir a pureza de um amor terno.

(Danilo Julião -16/06/2009)

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