Eram quase meia-noite, 31 de dezembro de 2009.
Eu tinha parado para pensar em tudo o que tinha acontecido naquele ano que estava próximo do fim. Não tinha pouca coisa. Foram pequenas aventuras, grandes descobertas. De alucinações a alegrias até tristezas e decepções. Aquele cara que tinha começado o ano estava longe de ser aquele que estava ali no quintal, olhando pro céu, segurando uma moeda de um real, o único real que tinha sobrado dos últimos 365 dias. O único resquício frio que eu carregava com apenas dois dedos. Eu olhava o céu na esperança de que o ano terminasse. Não por que o ano que tinha passado fora duro demais comigo, mas por que eu sabia que um ciclo novo deveria começar. Não havia cicatriz no rosto, ferimentos: eles estavam debaixo da minha epiderme. Que tal deixar a poesia de lado e enxergar com lógica o que vinha pela frente? Não consigo. Faltam dois minutos pra meia-noite. Se eu o fizer, não serei mais eu. Viver sem poesia é como viver sem ar, não importa se é em verso ou prosa. Eu já tinha abandonado o ato de escrever tempo demais. Precisava daquilo. E como faltava um minuto e meio para 2010, não tinha mais como fazê-lo naquele momento. Um minuto pra meia noite. Bom, não tem mais o que dizer ou esperar. O ano vai virar, os textos podem esperar. Até lá, resta apenas os olhos no céu, esperando os fogos explodirem. Virou o ano, agora eu não quero saber de mais nada.


É o melhor que observei até agora muito bom!!!
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