sábado, 30 de janeiro de 2010

No meio de uma rua de subúrbio

Era uma vez uma rua no meio de onde eu nem sei. O céu não estava azul, mas se sentia o vapor do mormaço queimando na pele. O chão não era de terra batida, mas me lembrava a infância que já passou. A fumaça branca que saía da casa indicava movimento e reunião. No outro lado da rua, três mesinhas de bar. Risos em toda parte. Era uma turma reunida, entre conversas, cervejas e refrigerantes. O tempo que passou vinha na memória com as situações, os micos, tudo. O coração do subúrbio era palco do encontro. O casal trocando beijos, os amigos tirando sarro, aquele cara da ponta cantando a mina da outra ponta. O samba bem vindo enchendo o ambiente. A vizinha mocréia e faladeira reclamando da festinha, sempre tem que ter alguém pra roubar a cena da pior forma. “Eu seguro o pagode e não deixar”, “podemos sorrir nada mais nos impede”, “Derramamos pela nossa voz cantando a alegria de não estarmos sós”. A brasa no ponto, o calor abrasador, o fervo, o batuque, o fim do mundo, tudo num espaço de horas. Era um momento feliz de se guardar.

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