Pensei em todo o tempo em que eu desperdicei tentando tirar alguma idéia e transpor para o papel e na frustração que cada insucesso me causou. Às vezes, não se trata de falta de inspiração ou priorizar outras coisas que não o expressar das palavras. É que não é momento certo de exercitar essa habilidade tão única e tão preciosa. Mas existe ‘momento certo’ para escrever, colocar o que você está sentindo nas linhas de uma folha? Não mesmo. E por que, a cada falha, o escritor se entrega à desistência ou à outra tarefa e não envereda pelo caminho guiado pela chama da persistência? Há tanto o que dizer, mas o mundo cala. Só resta o abrigo do papel, que pode ir ao conhecimento das pessoas ou não, ser limitado a um pequeno universo. Geralmente prefere-se o universo, onde se sabe que a compreensão será total. O mundo real está mais preocupado em contas, luxos e pequenos caprichos e prefere essas futilidades a ler e criar suas próprias idéias. E muitas vezes eu sinto esse peso acima da minha cabeça e deixo de lado o que aquece meu cérebro e não me deixa morrer de tédio e ócio. Aos escritores é dado o papel daqueles que só observam a vida. Não é bem assim, eles representam a vida do jeito que enxergam, por mais único ou deturpado que seja ou pareça. Claro, nem tudo pode ser chamado ‘expressão de idéias’, mas a sociedade – ou melhor, todos nós relegamos toda essa riqueza que é o pensar, o ilustrar da vida a segundo plano e dita as tendências do que é mais importante, mais válido. Por isso, encaro essa contracorrente como um incentivo para não parar de escrever. Por saber o que acontece caso eu abandone essa luta tão íntima e ao mesmo tempo tão pública.
Danilo Julião – 09/05/2009


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