terça-feira, 23 de fevereiro de 2010
passagens sobre o contista do tranco: canto de boa sorte
Do outro lado...
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
A estratégia louca do Joel
Realmente, há coisas que só acontecem ao Botafogo. Há quase um mês atrás, ele levou aquela goleada impiedosa (com direito a torcedor queimando camisa em circuito nacional) e agora ele sai com o bicampeonato da Taça Guanabara. Obra do destino? Não. Dos “deuses do futebol”? Oxalá fosse. Dos jogadores? Também. Mas o grande responsável por essa virada foi o Joel Santana. Ele deu um gás no time, conseguiu pegar as limitações do time e transformar em garra dentro de campo. E boa parte dessa garra vem do ataque Mercosul (eu já to ficando louco com eles...). Até mesmo, os mais caçados pela torcida como Fahel e Alessandro foram incríveis em campo ontem. Achei que o único que destoou (um pouco) foi o Lúcio Flávio, ele deveria ir para reserva por algum tempo. Confesso que esperava mais do Carlos Alberto e do Dodô, eles conseguiram ser apagados. E falar o que sobre o Caio? Ele foi caçado com direito a uma falta feia que deu o primeiro cartão vermelho pro Vasco. O pênalti não marcado em cima do El Loco? Prefiro não comentar... Pra não estragar a alegria (mas ele foi bem compensado). E o Fábio Ferreira voando no segundo andar pra marcar o primeiro gol foi uma cena de cinema.
Mas alguém sabe qual o segredo do Joel, ou melhor, do esquema da sua prancheta? Meu amigo Bruno deu uma sugestão:
- Ferrolho na defesa, liberdade para os laterais (alas), cão de guarda, um meia técnico, um atacante que sai da área e se movimenta e um (centroavante)fixo fazendo pivô.
Faltou só a cachacinha do nosso comandante pra deixar o esquema no ponto. Só esperando o adversário no seu próprio campo (não o do adversário, pra não ter confusão semântica...). De resto, o Botafogo foi limitado, mas guerreiro. Do jeito que eu sonhava ver. Ainda não é o Botafogo gigante que povoa a memória dos mais saudosistas, mas foi o Botafogo que me fez sorrir como há muito não acontecia. Obrigado, Botafogo. Obrigado, Joel. Obrigado a cada um que esteve em campo e me fez sorrir de novo, mesmo que por um tempo. Obrigado por não me fazer desistir naquele jogo do Vasco e mesmo distante e sem transparecer (a tristeza e a vontade de ver o time vencer) continuar torcendo. Seria hipocrisia da minha parte dizer que eu esperava o título desde o início do jogo. Só depois de um tempo e pouquinho...
O grande circo BBB
A décima edição do BBB está na boca do povo. Não imaginava, na época em que estreou, que o programa tivesse uma repercussão tão forte quanto essa. A ponto de parar a rotina dos telespectadores enquanto é exibido em rede nacional. Lembro de ouvir minha mãe reclamando comigo por que assistia todo dia e gostava. É, não me envergonho de dizer que já gostei do BBB e muito menos sei dizer o porquê de gostar. Na verdade, deixando as fofocas de lado, era interessante ver o quanto o ser humano se degrada por dinheiro e as baixarias que ele comete (sendo assistidas por milhões de pessoas). Hoje já abandonei a curiosidade nem um pouco ingênua– que por mais tentadora, não me seduz mais – e por isso eu o ache bem repulsivo agora. Não são apenas as intrigas e fofocas, mas sim se sujeitar a um espetáculo que não acrescenta em nada à nossa vida (e que, por outro lado, enche os olhos das pessoas e os bolsos dos patrocinadores e da emissora). À frente da apresentação, uma cara pseudo-culto (leia-se fofoqueiro de mão-cheia) que comanda esse universo paralelo que reproduz, distorce e cega a nossa realidade. Quem se prostitui, droga ou vicia não é menos baixo do que um participante do BBB que entra consciente de que vale tudo pelo prêmio. Num país em que a alienação virou atração de horário nobre, nada mais me surpreende. A lavagem cerebral é tão grande que a gente continua ligando pra ver quem sai no paredão de terça-feira.
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Sem mais tentativas...
Postura ereta, olhos sérios. Eis mais uma tentativa de escrever. Ele já tentou tantas vezes que agora o faz sem nenhuma esperança. A postura beligerante desaparece por alguns momentos, mas pode voltar caso haja algum fracasso. Mesmo próximo da maioridade, é como se ele fosse um adolescente preso num corpo de 20. Tensiona os pulsos e pensa: “É a última vez que eu vou tentar escrever. Se eu falhar, acabou. Não escrevo mais”. É o chamado tiro de misericórdia. “Não é possível, é muito bloqueio de pensamento. Eu só quero voltar a escrever como antigamente. Antes, eram tantas inspirações e agora nada.” Posiciona o dedo no teclado, esperando a chance, a hora perfeita pra escrever. Será que ele fracassa? Ou passa por cima de todas as barreiras mostrando nos cliques das teclas ou a explosão dos pensamentos. As idéias começaram a surgir, ele começa a digitar bem rápido e tudo aparece na tela do computador. Ele pára. A passagem não ficou boa, pensa
Saturação informacional(e política)
Assistir o Jornal Nacional tem sido dose. Primeiro, o terremoto no Haiti. Depois, os alagamentos
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
Sortes e azares, amores e amuletos: As cinzas no Maracanã "suplantam" o vermelho e preto

Sorte e azar são dois lados da mesma moeda, ou seja, uma coisa só. E ambas estiveram desfilando pelas relvas perfumadas do Maracanã, fazendo mágica com os olhos e o coração de quem estava torcendo. Fosse nas arquibancadas ou no sofá de casa, como eu, que brincadeira foi essa na semifinal de quarta. Todos sabem da rivalidade acirrada entre Botafogo e Flamengo e que eu defendo o meu Glorioso. No entanto, abusando da franqueza: eu entrei para ver o jogo sem esperança alguma. No que dependia de mim, não tinha chance da alguma coisa boa acontecer. Desde a decisão do Carioca de 2007 é que eu fico assim. Me lembro de tudo o que aconteceu nas duas tardes: o Botafogo abrindo dois a zero, o Júlio césar fazendo pênalti e sendo expulso, o Flamengo empatando, no outro domingo o Flamengo saindo na frente, o Botafogo virando o placar, o Flamengo empatando de novo, o Dodô quase fazendo o terceiro gol, num impedimento estranho e sendo expulso e enfim, aquela loteria chamada pênaltis.
domingo, 14 de fevereiro de 2010
Sambista às avessas
Canto em qualquer canto
Vôo de um lado a outro da rua
Numa sambada desajeitada
Num batuque desafinado
Não sou sambista, sinhô
Não sei tocar cavaquinho
Não tenho samba no pé
Mas ele estala meus ouvidos
E as cordas do core, esse tum-tum
Teco-teleco-teleco-teco
Sim, meu maior sonho
É puxar samba desfiando nas cordas
Do meu cavaco de mogno ou carvalho
Perfumado de samba até o afinador
Que me venham Candeia, Clara, Elza
Ataulfo, Noel, Wilson, João
Fazer minha cabeça e reviver esse timão.
(Ainda pegando carona nesse clima de carnaval, fica mais uma pra vocês.)
sábado, 13 de fevereiro de 2010
A Rua do Bola Preta
Já fazia tempo desde a última vez em que eu tinha visto o Bola Preta atravessar a Rio Branco. Daquela vez, meu pai tinha me levado e eu não queria outra vida. Por mim, todo carnaval atravessava a rua atrás do bloco. E como diz aquele o samba: “Atrás do bloco (digo, da Verde-e-Rosa) só não vai quem já morreu. Era o Carnaval de 2007. No ano seguinte, veio uma gripe fora de hora que me cortou do bloco. Ano passado, eu estava milhares de quilômetros longe dali, de modo que eu fiquei de fora outra vez. E veio 2010, pra recuperar o esquenta do bloco.
Mas ao contrário dos outros anos, eu acabei ficando de fora do fervo. Pra quem não sabe, o fervo é onde a multidão fica espremida passando junto com o bloco, seguindo, cantando o samba (confesso que eu ainda tenho que comer muito samba-enredo pra fazer bonito nos blocos da vida, posso dizer que consigo cantar uns 10 de letra...o resto...). É pai levando o filhote ou a filhota nos ombros, é marido segurando mulher, é namorada indo com namorado, a vovó pulando com os netinhos, é o grupo de amigos fazendo um auê com a galera. E eu, sozinho, apreciando a paisagem como um legítimo flaneur de João do Rio. Que vem a ser um flaneur? Bem, como resumir numa Lina o que ele estendeu por parágrafos? É o cara que perambula por aí em busca de inspiração para a arte e reflete sobre ela. Expliquei bem? Não sei, mas pouco importa agora.
A novidade é que eu fui sozinho até lá. Não é do meu feitio fazê-lo, adoro aproveitar essas ocasiões acompanhado dos amigos. Por conta de outras razões, isso não ocorreu. Mas por um lado foi bom. Há males que vem pra bem, não é mesmo? Não fosse isso, eu não conseguiria observar as figuras que passaram Rio Branco, Praça Floriano, Rua da Carioca e mediações. Fico pensado como é que no Rio um bairro consegue se desmembrar em tantos sub-bairros; é uma coisa impressionante e absurda. Só pra vocês terem idéia: o Centro da Cidade tem sua complexa geografia Saúde, Santa Teresa, Glória, Lapa, Santo Cristo, Central, Candelária, pra não dizer os que eu ainda não conheço. Contar os pontos de referência na ponta dos dedos então, impossível: Praça Tiradentes, Ouvidor, Passos, Sete de Setembro, Igreja dos Capucinhos, Arcos da Lapa, Rio Branco, Presidente Vargas. É pra deixar qualquer um louco.
Mas voltando ao nosso ponto de encontro, lá estava eu. Um puta sol de quarenta graus, usando um chapéu de bola de futebol, olhando o vai-e-vem e o vem-e-vai do pessoal. Era gente saindo do fervo pra dar um descanso, tomar uma aguinha, uma cerva geladona ou no meu caso, um refrigerante estupidamente gelado (Coca, H2OH pra quem gosta de alternativas). Era gente que tinha perdido a hora e agora queria entrar no meio do fervo. Era gente querendo chegar perto do bloco pra ouvir aquele samba que tanto marcou a infância, a adolescência. Era gente levando os rebentos pra ver que beleza é sair no Bola Preta. Era gente a fim de diversão. Era gente atrás de azaração. Era gente liberando num dia o que reprime nos outros 364, se é que vocês me entendem. Tem gente de todos os estilos na rua do Bola Preta.
Cada um tem seu estilo. Eu fui bem discreto, apenas destoando da sobriedade com meu companheiro chapéu em formato de pelota. E foram muitos (e muitas, provando que futebol não é só coisa de macho) que me acompanharam, só mudando o modelo e as cores. Teve quem apostou num moicano estiloso-espalhafatoso, todo colorido e empetecado. Teve quem preferiu fazer no cabeleireiro e só aplicar as tintas. As mulheres, essas tinham que caprichar. Teve anjinha, enfermeira grávida, odalisca, melindrosa, diabinha. As novinhas, as mamães, as vovós, as nenezinhas. A menininha nos ombros do papai assustada com toda a barulheira. O moleque batucando na cabeça do papai, já treinando pra ano que vem.
Fora a selva que atravessou as calçadas. Docinho, enfermeira? Olha mais de perto que esse bicho tem tromba. Depois passam pela minha frente inúmeras “anjinhas”, “fadas-madrinhas”. De longe, vem o que parece ser uma daquelas dançarinas velhas de guerra que estão hoje na decadência. Um minuto depois, parece a Vera Verão velha depois de vários anos cheirando cocaína – um quadro tenebroso, podem acreditar. E ainda tem uma Carlitos estilosa acompanho de uma Feiticeira. É o jogo do vira-virou. Maria Sapatão, Sapatão, Sapatão...será que ele é? Será que ele é? Mas tudo só na pilhéria, pessoal. Afinal, o que importa é a diversão. E isso sobrou na avenida. Literalmente.
E quando fui me despedindo da Rua do Bola Preta, vi que a festa não tinha acabado para um monte de gente. Espero que daqui a um ano eu ainda esteja festejando na hora em que eu saí.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
É a hora da folia, é a hora do batuque
Meu amigo Crispin já adiantou no "Aquarela de Fatos", agora sou eu.
Eu vou pegar leve, mas quero curtir também esse carnaval.
No domingo fiz a primeira crônica dessas aventuras pelos blocos do Rio e espero fazer mais.
O que importa é curtir bastante, brincar, zoar com os amigos, mas tudo com muita segurança. É uma festa legal demais pra ter confusão. Além disso, vamos tomar muita água por que o calor não vai dar trégua, filtro solar pra não ficar com cancer, camisinha na bolsa(pra eles e elas).
De resto, é só armar o churrasco, sair nos blocos, ver os desfiles, fazer a festa.
O ano começa depois do carnaval, então façamos a festa no finzinho das férias!
"Me leva que eu vou, sonho meu...atrás do Bola Preta só não vai quem já morreu..."
domingo, 7 de fevereiro de 2010
Aquarela Carioca de Domingo
Tudo indicava mais um domingo sem graça.
Com certeza eu iria acordar bem tarde, assistir muita televisão (filmes, futebol e etc...) e com certeza passaria a noite com a cara no computador, como eu estou fazendo agora. Mas não foi bem assim que o dia se desenrolou...
Talvez um samba-enredo possa me ajudar a explicar melhor. Dá pra percebeu que eu já estou em clima de carnaval...
Ipanema é linda demais. Me lembrei de uma vez em que eu vi a praia diante de um fim-de –tarde maravilhoso, faz uns nove anos, eu acho. Assim que eu cheguei lá, veio essa imagem na cabeça: a orla, as pessoas na praia, o céu amarelado, quase laranja, eu arrastando os tênis pela areia. Agora, eu iria entrar na praia mesmo. Encontrei a turma, fiquei um pouco na areia, mas não queria sair da água. Alias, ninguém queria. O Rio estava colorido e o sol proporcionava o maior brilho. As águas de Ipanema se levantavam saudando todos que nela mergulhavam com marolas, ora fracas, ora fortes. As areias se desmanchavam com as ondas que as lambiam. E tinham as beldades que faziam a festa dos olhares de quem passava pela orla ou quem estava na areia. São algumas paixões dos cariocas: samba, praia, morenas e o futebol, representado no Estadual.
Dentro d’água, todos viram os veleiros passeando em direção à Barra. Cada um representando um país diferente. Acho que era uma regata, não sei. Só sei que eles atraíram a atenção de quem estava curtindo o dia. Enquanto isso, tantos outros faziam os papagaios cruzarem o céu num festival de cores. Fosse os moleques e seus pais, tios, irmãos que estivessem nas ruas, lajes e morros, cada um representa algo diferente. O time do coração, uma mensagem de paz, um gosto musical, um grito, um escândalo. Todos adoram o domingo assim, de bobeira. Eu, pelo menos, adoro um domingo assim. Com aquele almocinho de domingo que só minha mãe sabe fazer, de quebra um sorvete de graviola pra deixar tudo bonito (Embora eu goste mesmo de um churrasco daqueles!!!). Mas não posso reclamar, o domingo com os amigos estava muito bom. Curtindo o sol de Ipanema, o mar, os amigos e um algo mais logo depois.
sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
Recíproca
Foram tantos dias sem querer acordar, noites fugindo do sono. Quantas vezes o teu nome quase me escapou da boca, vi sua figura nos meus devaneios mais secretos, sonhei em beijar seu corpo de mulher. Tento definir em palavras esse extase, dar um significado a esse frisson e nunca consigo. Suando frio, ia sempre a janela e olhava pra Lua, na esperança dela dizer tudo o que a minha boca não conseguia.
Mas nunca recebi de ti o que eu mais queria. Mesmo quando eu te revelei tudo e tirei o peso das minhas costas não ganhei o que poderia me fazer mais feliz. Ou triste.
Hoje eu entendo um pouco mais. Talvez você não quisesse me magoar. Talvez você quisesse, com a negativa. Não decifrei seu riso meio sem graça, meio sarcástico.
E embora toda essa paixão tenha ido embora, às vezes me pego pensando o que seria de mim com a sua recíproca.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
Modernidade
Ah, atualidade nefasta
Aqui me tens em parcial
A outra parte foi em viagem
E não tem data de regresso
Cansei dos lamentos freqüentes
Das injeções de alegria, em vão
De mim mesmo, faceta
Máscara confeccionada
Intransponível
Sem versos vivos
Ares de poesia
Ficção e realidade
Confundem-se ao mesmo tempo
Mundo e ultra -mundo de mãos dadas
Ignoro o que me conheço
Despisto aquilo que é desconhecido
Cresço e amadureço
Regrido e me trato com despreço
É sempre cedo, já foi tarde
Acessos de lamento por toda a parte
Sabe-se lá o que eu penso ou o que sinto
Emaranhado complexo, labirinto de sensações
Transtornado, ao reverso
Modernidade, tente me explicar...
Eu, tão maniqueísta e fantoche, não sei...
(Danilo Julião - 21-10-2008)
Tempestade
Os ponteiros correm em disparada como se quisessem chegar à linha de chegada
Dá-se o nó na garganta do poeta, falta-lhe a coragem
Perde-se lhe o fôlego, voam os sentidos, despe-se em um animal;
A pele alva de lua brilha no crepúsculo, delicada
Rosas úmidas pedem com a sede de beber
Protuberâncias estremecem ao vento da noite
Incendeia-se por dentro, fogo incontrolável
A pele pede o algo a mais; a dor a mais; o céu a mais
A pele ruça e calejada de terra permanece na aurora
Mãos tortas que fazem versos e procuram o toque
Enrijece, à procura do esconderijo perdido
E ele o acha onde aurora e crepúsculo se juntam
Sol e lua se encaixam na figura de um eclipse
Céu e mar se fundem numa só cor
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Gol Anulado
Composição: João Bosco / Aldir Blanc
Quando você gritou mengo
no segundo gol do Zico
tirei sem pensar o cinto
e bati até cansar.
Três anos vivendo juntos
e eu sempre disse contente:
minha preta é uma rainha
porque não teme o batente,
se garante na cozinha
e ainda é Vasco doente.
Daquele gol até hoje
o meu rádio está desligado
como se irradiasse
o silêncio do amor terminado.
Eu aprendi que a alegria
de quem está apaixonado
é como a falsa euforia
de um gol anulado
(Música na voz de Elis Regina)
Fim de jogo
Domingo de tarde. Sol das cinco a pino. Tempo bom. Perfeito pra jogar. Gramado em bom estado. Arquibancadas
O pai leva o filho pro estádio pela primeira vez na vida. O moleque não deve ter mais de cinco anos e vai ver seu time do coração pela primeira vez num estádio. E não é qualquer estádio, é o Maior do Mundo. Logo que eles chegam, a torcida saúda com uma festa maravilhosa, os fogos colorem os quatro cantos de arquibancadas, é uma festa sem fim. O moleque vai à loucura, entra naquele frisson. Balança a camisa que seu pai comprou e depois pede pro pai colocá-lo nos seus ombros pra ver o entorno do estádio. Dentro de campo, o Flamengo não faz por menos. Ele pode ter saído atrás no placar, perdendo de 1 x 0 . Mas logo empatou. E depois virou. Pai e filho foram à felicidade absoluta naquele dia: o Flamengo era hexacampeão. O pai via seu sexto título, sendo que o primeiro ele viu no colo do seu pai – que àquela altura não estava mais junto. Ele pode proporcionar essa alegria ao filho. Mas a alegria só duraria pouco. No dia seguinte, a sua esposa chorou arrasada ao saber da morte de seu marido e filho, quando estes saíam do Maracanã. Tudo causado por uma briga de torcidas rivais. Foi o Flamengo, mas poderia ter sido o Vasco, o Palmeiras, o Botafogo. Infelizmente, essa é uma história bem recorrente nos nossos dias. O futebol deixou de ser espetáculo para virar guerra.
terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
Desgosto
Renascer
Filhas da claridade soturna da noite dos mares
Enquanto germino do meu berço-túmulo
Desperto da fúria que de mim se apossou feito furacão
E varreu de mim as lembranças da guerra íntima
Admiro a fronte límpida no espelho alvo
De longe, não lembra a carranca medonha
Que tanto tempo sustentei dentro da alma
Envolvido em desilusões e fracassos
Do tamanho de fortalezas de ferro
Quem adormeceu dentro de um mar gelado
Não se compara com aquele que despertou
Memórias ainda navegam errando pela noite
Sonhos náufragos afundam e atingem o fundo dos oceanos
Eis aonde eu quero que eles pereçam sem volta.
Sou como o remanso que surge do cansaço
Aquele que tanto lutou contra os sentimentos
Caminho de volta ao mundo,
Sem certeza ou esperança
Apenas o infinito que tanto me apraz.
01 de fevereiro
E a segunda feira foi igual às outras.
Exceto por alguns fatos.
Os flamenguistas estavam
Amanhã saem os indicados para o Oscar. Nenhum brasileiro na briga. É incrível como o nosso cinema ainda não chega a ponto de disputar de frente com os outros países. Mas como querer isso num país onde artista leva fama de vagabundo? Frase clichê, mas resume a realidade social aqui.
O ENEM vem dando o que falar. Os resultados saíram, mas a correria só aumenta. É a corrida do ouro por uma vaga numa universidade pública. No meu ano de vestibular, meu resultado do ENEM saiu depois do esperado e isso me prejudicou bastante. O irônico é que, mesmo com os avanços tecnológicos, a confusão continua. Parece o sistema da faculdade.
E entramos em fevereiro, mês do carnaval. Eu ainda não sei pra qual bloco eu vou. Ou quais. Não sei nem o que fazer da minha vida. Vou deixar pra Iemanjá, já que amanhã é o dia dela...

