sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

A beleza dos jornais e a das poesias

Eu bem sei que pensar na vida como uma desgraça sem fim não ajuda em nada. Como também pensar na vida como um desfile de samba que vai até a manhã não funciona. Então, o que vale a pena? Equilibrar as duas coisas?

Olho os jornais e só vejo tragédia, o que chamam de mundo real, cruel, frio e calculista.

As músicas e poesias cantam o que os jornais dizem, então por que elas não são tão levadas a sério? Por serem escritas em versos brilhantes ao invés da prosa fria?

Não, não sou inimigo da prosa. Sou inimigo daquela prosa que tira o brilho intenso da vida. Que a mostra sem emoção, sem sentimento. Geralmente, quando eu vejo muitos textos de jornal, tenho a impressão de estar preso no meio de um cenário cinzento e frio.

O que nos chama a atenção é o grotesco e o hediondo. Esse é o nosso veneno que vem diariamente impresso ou digitalizado. São os crimes pueris, as corrupções, as mazelas, as lepras que escondemos com botox e colágeno. Já pararam pra pensar que a gente prefere a leitura de um “Expresso” de manhã em lugar de ver o sol nascer no horizonte que recorta a serra? Preferimos o silêncio na sala ao ver o jornal do que ver a família reunida num dos raros momentos do dia. Às vezes, descartamos até a companhia dos filhos pra assistir as notícias com sossego. E enquanto isso, o que vale a pena fica de lado.

Já sei, tem quem vai me chamar de vagabundo. Poeta é sinônimo de vagabundo.

O que vale é ter um emprego, um vale alimentação, um celular da moda.

Eu prefiro ouvir um samba das antigas e sair cantando por aí.

2 comentários: