quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Inocência nos tempos de escuridão

Quando o jogo acabou, eu mal podia acreditar.
Naquele instante, eu só conseguia olhar pra frente. Os olhos incrédulos, a boca sem ter o que falar, as mãos trêmulas de raiva. Em frente a mim, um gramado castigado pelas botinadas. Do meu lado, outros tantos botafoguenses tão ou mais cabisbaixos que eu. Antes, um louco qualquer incendiou a camisa do Botafogo quase do meu lado. Não sei se choro de tristeza ou de raiva. Não sei se culpo a diretoria ou a mim próprio por tirar leite de pedra, nutrir esperanças de onde não tem. É quando eu vejo, no meio do estádio vazio, um menino qualquer. Não sei quem é, quantos anos tem, de onde vem. Mas ele está lá, balançando sua bandeira do Botafogo. O Botafogo perdeu, foi massacrado em campo e ele balança sua bandeira com uma alegria que não condiz com o momento.
Um dia ainda vou entender o gesto dele. Se houver algo para entender.

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