domingo, 31 de janeiro de 2010

Juízo final

Chega a ser difícil olhar pro mundo ao meu redor. Eu sei, eu sinto, a tempestade se anuncia. Hoje à noite todos os meus medos vão se libertar do baú e vão me perseguir numa cavalaria de fantasmas. Os portões dos céus estarão escancarados deixando correr pingos grosso que marcarão o chão como uma adaga perfurando a pele. Os “Quatro Cavaleiros” estão soltos pelo ar, todos juntos no meio dessa tormenta. Não gosto de tormentas. Prefiro a calma. As luzes se apagaram, a ventania está lá fora. Os fantasmas ganham luz, podem ser vistos a qualquer momento. Não sei o que fazer, tenho medo de mexer com tais entidades. Perco a calma a cada raio que cruza os céus e fuzila a terra. Logo me lembro do cadáver que eu deixei estirado no chão, o instrumento que cortou o fio de sua vida. Esqueço o porquê de tê-lo matado, esqueço o fio de desentendimento. O meu medo se torna supremo e não dá espaço para qualquer outro sentimento. Me sinto um invisível, pequeno e miserável mosquito no meio dessa orquestra sinfônica de arranhar os ouvidos. Quem vai saber o que acontece comigo? Quem vai saber que eu o matei? O assassinato ficará impune. A lei dos homens não há de me pegar. Não há. Meu Deus, o raio atingiu a casa. Toda escuridão se dissipou. Agora as chamas consomem tudo. Pule no fogo, pule no fogo, dizem os fantasmas. Eu não sou maluco, vou pular pra fora do fogo. O salto pode não ter sido o mais perfeito, mas fugi das chamas. Ou pelo menos, achei que tinha fugido. Ainda estava no meio das chamas, eu estava preso no meio das chamas. Era o fim, eu sabia. Os fantasmas estavam rindo. Não tinha mais jeito.


(Texto influenciado pelo álbum "Kill'em All", do Metallica. Nem um pouco autobiográfico.)

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