domingo, 31 de janeiro de 2010

Ópera da Cidade

Pelas ruas, esquinas e ladeiras
Luzes despertam antes do poente
É o crepúsculo cruel e misterioso
Que revela as chagas e o dia acoberta
Faróis vermelhos se destacam do alto de viadutos
Buzinas gritam loucas numa ópera raivosa
Carros se enfileiram numa linha errada e errante
Mil destinos regem cada uma dessas almas
Que apertam os cintos ou cortam os pulsos
São as vozes da impaciência, da pressa
De chegar ao horizonte, tão longe, tão escuro
Céu perverso, almas mais ainda
Maldizendo o que tem mais que elas
Toda a confusão nas avenidas abertas e paradas ao léu...
Um mar cuja música contagia e enfurece
E a famigerada turbulência que sempre aparece na janela
Derrama-se em notas desconcertantes num palco de buracos...

(Danilo Julião – 11/06/2009)

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