sábado, 30 de janeiro de 2010

Carmina mortis

Com um céu grená sobre minha cabeça
E as sombras da tarde-noite ao meu redor
Caminho sobre pedras, palavras e besteiras
Num rumo torto, que a terra fria guia
Seguro meu corpo com todas as forças
Afago as dores e feridas, as chagas sem medida
Iludido coração que caiu em todos os buracos possíveis
Chego, sem perceber, a um jardim vazio
Cuja vida se esvaiu com as folhas do outono
E o que restou foi um tapete de folhas velhas
Talvez uma vida velha que tenha desaparecido
Espaço aberto, as cores esfriando em segundos
Tão dolorosos como o parto de um plano quase impossível
O Cansaço me vence ou eu o vença ao chegar aqui?
Aqui, onde almas dormem ao relento e esbravejam no sono eterno
Orquestrando um coro contra o novo mundo onde se encontram
Elas se rebelam, mas esquecem que se entregaram tão fácil
Quando havia as cores, queriam as cinzas e as tem,
Embora nada fosse do que elas queriam
Esse lugar é demais para mim, como eu cheguei aqui, não sei dizer...
(Ou talvez eu saiba, mas não seja válido dizer nas linhas)
Ainda caminho, apenas sobre as pedras, rochas, penhas tímidas
Enquanto descubro as cores da noite, tapete estrelado
Donde um refletor me mostra uma nova aquarela
Que está além dos olhos, além dos pensamentos.


(Danilo Julião – 18/06/2009)

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