quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Esboço inicial

Escrever pra mim é um desafio e também uma paixão. Lembro das primeiros textos que eu escrevi, quando eu era um pouco mais novo. Naquela época, eu carregava meu ímpeto de iniciante que queria alcançar a perfeição logo e assim ter certa notoriedade com algumas crônicas. Meu primeiro contato com elas tinha sido com um livro do Nélson Rodrigues, “A Pátria em Chuteiras”. Eu tinha meus 18 anos e fiquei louco com aquelas crônicas, que pareciam ter um brilho e um colorido próprio. Ao lê-las eu me sentia sentado num estádio pequeno, ou melhor, um alçapão. E eu não tinha torcida definida, torcia por algo maior que um time de futebol. Cada letra representava um drible, uma furada de bola, um gol, uma festa da torcida. Eu tinha me teletransportado para um universo mágico, cujas possibilidades eram maiores do que eu imaginava. A partir daquele momento, eu queria escrever crônicas de futebol, só de futebol. Depois comecei a me interessar por outros assuntos, mas o futebol nunca se afastou de mim. Mas passou o tempo, eu fui ficando mais velho, fazendo mais coisas e assim comecei a perder as oportunidades de ver um jogo e escrever sobre ele. Alguns jogos com um ambiente propício pra explorar a imaginação e traçar contornos que nem mesmo eu sei. Logo eu percebi um dos motivos que explicavam o porquê de eu não conseguir escrever: só podemos escrever sobre o que a gente sente de verdade, o que a gente sabe, no fundo do nosso coração. E num determinado momento, não sei explicar quando, eu não conseguia passar esse sentimento aos meus olhos. Como se eu tivesse perdido minha essência. Como se eu escrevesse com medo do que as pessoas iam pensar de mim. Com isso foram tantas as chances que eu fui perdendo ao longo do caminho. Mas isso são águas passadas e como diz o ditado: elas nunca movem moinhos. Mais vale escrever os textos como se fossem partidas de futebol que deixá-los para depois. Se for assim, que assim seja. Nem que eu tenha de fazer jus ao nome desse blog e realizar cada texto num tranco literário.

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